Guia rápido do MVP

Quem já teve contato com o vocabulário dos ~inovadores~ ouviu o acrônimo de produto mínimo viável mais de uma vez. Se isso aconteceu com você, e em todos esses momentos você não tinha certeza do significado de um MVP, esse post é seu.

Se você já conhece a definição, mas tem dúvidas de como aplicá-la, o momento também é agora. Vamos continuar a falar sobre tudo aquilo relacionado a validação e aprendizado que viemos abordando nos últimos posts, com o objetivo de te ajudar a acertar em um MVP. 

 

o que é
(e o que não é)

 

O produto mínimo viável é mais um processo para diminuir riscos com o propósito de aprender o mais rápido possível com o mínimo de esforço. Mas, diferente de um protótipo ou de uma prova de conceito (de que falamos nesse post), um MVP é criado para responder além de problemas de design ou questões técnicas. Ele é criado para pôr o negócio à prova com quem define seu sucesso: o mercado.

Isso significa fazer a suposição mais arriscada — como uma hipótese relacionada a estratégia de marketing ou como monetizar — e levar ao público. Sempre pensando em três perguntas:
 

  • O que você quer aprender com esse MVP em particular?
  • Que dados você vai coletar com esse experimento?
  • O que determina o sucesso ou fracasso do experimento?


Para chegar às respostas, nem é preciso desenvolver o produto final. O Groupon, por exemplo, começou com um blog adaptado de WordPress, postando ofertas diárias e mandando — manualmente — PDFs via email para os compradores. Não existia nenhum sistema ou cupom. Era só um MVP.

Mínimo e bom

Muitos pensam nesse processo como um modo de chegar à frente no mercado e lançar uma versão inicial do produto o quanto antes — e parte disso faz sentido. Mas pensar em produto mínimo não significa idealizar o produto final, cortar algumas funcionalidades e conseguir alguma coisa menor para chegar lá. Assim como não implica em reduzir qualidade com o objetivo de lançar logo e aprimorar depois. Em outras palavras, mínimo não deve significar ruim.

O mercado interpreta tão mal esse conceito de minimalismo, que surgem produtos que negligenciam um fundamento básico: entregar sempre algo de valor para o consumidor. Ideias como a de um “produto mínimo adorável” apontam como alguns MVPs são encarados e criados. 

 
 

Essa diferenciação reflete uma busca por novos conceitos quando, na verdade, a única mudança necessária é lembrar que a primeira impressão importa, sim, e um produto deve ser concebido como “adorável” desde o começo. Não importando como você o chama.

O oposto de mínimo

Se uma boa experiência parece implicar no produto completo, é preciso rever o que foi concebido para sua versão inicial. Afinal, esse escopo não pode ser praticamente metade do produto final e ser chamado de produto mínimo.

Parece óbvio no papel, mas na realidade, esse é um erro conceitual que passa despercebido para muitos. Não é incomum encontrar quem queira entregar o melhor produto logo na primeira versão e acaba forçando o máximo de features possíveis.

Existem diversas maneiras de evitar tanto o MVP inflado quanto o super-mínimo. Separamos a seguir uma sugestão que pode te ajudar a resolver esses problemas.

 

como acertar

 

Na hora de decidir como vai ser o MVP, é necessário ter um único foco e se propor a cumprir essa função muito bem. É preciso restringir o público-alvo, as features e, consequentemente, as hipóteses que serão validadas. Uma alternativa para ajudar a definir isso pode ser aplicar o modelo de Kano, organizando as funcionalidades planejadas em 5 categorias. Dessa maneira, é possível balancear as necessidades do público e analisar a satisfação deles.

Nesse modelo, existem atributos básicos que se não estiverem presentes incomodam os usuários. Seguindo nossa linha de paralelos com automóveis, são como freios. Por sua vez, os atributos de performance são qualidades relacionadas a competitividade — como cavalos de força em um motor. Já os atributos atrativos, são inesperados e agradam os consumidores — como um sistema de park assist para manobrar em vagas estreitas. Há também atributos escondidos, que são indiferentes para o usuário, mas importantes para o todo — como as instruções de reparo para mecânicos. E por fim, existem atributos reversos, que geram a satisfação de um público e a insatisfação de outro — como transmissão manual em carros esportivos.

Quando discutimos sobre um MVP, uma solução única e inovadora deve ter uma qualidade atrativa (ou uma de performance que seja significativamente melhor que as dos concorrentes) para ser a funcionalidade diferencial. Assim como precisa de uma quantidade suficiente, mas reduzida, de features básicas que atendam seu público-alvo. Atributos escondidos que permitam que o produto amadureça com novas possibilidades também completam esse escopo. Quanto aos atributos reversos, raramente falamos em excluir um mercado logo nesse momento — exceto que seja com uma funcionalidade básica usada especificamente como limitante do MVP.

A versão final vai incluir mais desses ingredientes, claro, mas para começar testando algumas premissas isso já é o bastante.

 

 

o trabalho não para

 

Após o lançamento, é natural expandir mercado através de mais qualidades básicas e adicionar atrativos para agradar seus consumidores exponencialmente. Assim, aos poucos, é possível seguir entregando tudo no seu devido momento e alcançar a visão idealizada no início do projeto.

Para entender melhor a satisfação do cliente mediante a completude do escopo, os eixos a seguir colocam features atrativas (delight), básicas (basic) e de performance (performance) em perspectiva:

 
 

Implementar o modelo de Kano também pode ser uma boa forma de organizar prioridades ao longo do projeto, e não só no MVP. Ele pode ser usado em conjunto com artefatos do Scrum, como o backlog de produto, para ajudar a planejar e construir de forma incremental.

Inclusive, promover esse crescimento só é possível quando se parte de um produto mínimo bem definido e evoluído posteriormente dentro dos preceitos de agile development. Ambos estão extremamente relacionados. Exploramos mais os conceitos de agilidade nesse post, mas resumindo, um bom MVP nesses moldes nos permite:

  • testar hipóteses sobre o negócio;
  • usar o aprendizado para desenvolver um produto de valor;
  • e e vitar o desenvolvimento de features indesejadas, reduzindo custos.

Um MVP não é a fórmula mágica para o sucesso. Mas quando aliado a processos predecessores para testar conceitos — como o Design Sprint — e frameworks de desenvolvimento ágil — como Scrum — maximiza as chances de entregar produtos que importam na mão dos consumidores.

 

Por hoje, paramos por aqui.
Obrigado pela leitura e até a próxima!

 


Vá mais fundo conhecendo sobre nosso processo de desenvolvimento e fique à vontade para compartilhar suas ideias, nos dizendo sua experiência com MVPs.